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"O gênio e a natureza fizeram uma aliança eterna: o que o primeiro promete, a segunda certamente realiza".
(Friedrich von Schiller)

sábado, 11 de setembro de 2010

Teorias do Caos

Quando tentamos nos convencer de que a vida são mil maravilhas, obtemos a certeza de que ela não é sequer nem uma. Seria chato tudo fácil. Mas é tão chato tudo tão difícil...
O que fazemos? AMAMOS!!!

E nesse 11 de setembro das tragédias, minhas horas sempre salvas por tua presença se alegram. Enquanto eu conto os segundos para que de fato isso aconteça; para que a vida não se esqueça: de que há o amor; de que há a luz...
A música "Até quando esperar", da Plebe Rude, ecoando em minha cabeça. Muitas das dúvidas presentes nessa letra compactuam com a mente das divagações que, por meio das presentes linhas, se coloca a se expor.

Larissa, meu amor, você me deu essas respostas. E me dá essas respostas. Ainda por cima, me dá forças para que eu me junte a você nessa ferrenha luta contra os males da sociedade. Às vezes, essa sociedade 'tá tão perto de nós, não é mesmo?
Quinhentos anos de história... De quê valem? De nada valem sem presente e futuro; De nada valem sem os sonhos pelo amanhã que nunca morre.
Deixe que eles tenham somente o passado, enquanto nós temos todo um futuro pela frente. Que o façamos, construamos e moldemos a bel-prazer, pois o futuro se encontra a nosso dispor, em nossas mãos.

"Em meio ao caos" e às teorias do caos, você chegou...


E é por essa chance que eu lutei
Quando olhei
Você chegar...
O melhor lugar do mundo é do lado de Lá.

Você faz com que eu acredite em meu potencial; com que eu lute pelos meus sonhos...

"Vamos duvidar de tudo o que é certo
Vamos namorar à luz do pólo petroquímico
Voltar pra casa num navio fantasma
Vamos todo mundo... ninguém pode faltar


Se faltar calor, a gente esquenta
Se ficar pequeno, a gente aumenta
E se não for possível, a gente tenta
Vamos velejar no mar de lama
Se faltar o vento, a gente inventa"

(Engenheiros do Hawaii - Pose)


Meu bor, eu te amo mais que tudo! Essa música — nosso despertador — sempre há de traduzir o nosso amor. "Remar contr a corrente", "Desafinar do coro dos contentes", "Duvidar de tudo o que é certo", "Namorar à luz do pólo petroquímico"... Nós fazemos tudo isso, né bor?

Lariii!!! Continuemos sempre juntos, pois eu preciso de seu colo e farei do impossível para que você também sempre conte com o meu.

"I'm your little lover boy"!

Amo que amo!!!

Hey, vovô


No caminho do trabalho, trajando um casaco do vovô.
A cada passo entre as ruas — veias e artérias paulistanas —,
Sinto que andaste em meu lugar, com esta blusa, em teu labor.
Há meio século, estiveste aos vinte anos, Lua e Sol em teu pijama.

Há meio século, buscavas, pela luta, os teus sonhos —
Sonhos de um garoto apaixonado pela vida, pelo estudo.
Há meio século, brada em prol da paz em meio a escombros,
Livre da maior futilidade que são sonhos de consumo.

A cor azul deste casaco que hoje me aquece contra o frio —
Imagino que assim fossem cada um de teus abraços apertados.
Talvez seja por isso que mamãe mantém o azul como sua cor favorita.
Interessante e engraçado, outrossim, que seja a predileta cor de minha namorada.

Hey, vovô! E as gatinhas? Como eram teus namoros?
Eu soube que tu foste um galante mulherengo,
Que fazias dez a zero em qualquer um bom boêmio.

Lembro-me do mapa mundi que tu desenhaste numa lona
Ele está na minha casa — perfeito!
Fica tranquilo — eu o preservo pela eternidade de tuas contas.

Quantas não foram as lições que tu retiraste de um simples caminhão...
(Tudo bem, vai... Vários caminhões!)
Japonês, italiano, tu falavas com fluência até mesmo em alemão!

Gênio!

Herdei o teu talento ao desenho, a fotografar a lápis.
Eu não desperdiçarei o encanto do teu sangue vital.

"Era um garoto, que como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones".
Tamanha fora minha emoção quando eu soube de tuas composições...
Gênio!
Há meio século, de madrugada, estivera em meu lugar
Munido de papel, uma caneta, uma guitarra, um violão...

Já em meu trabalho,
Imagino quantas não foram as pessoas com quem tu conversaste num só dia.
Será que eu supero essa tua marca durante uma vida?
Tempo bem proporcional, tendo em vista a imensidão de nossos dons.
Quase iguais, não? Tenho em vista a vastidão do coração.

Eu soube que tu foste um bom sapateador.
('Taí uma coisa que não sou,
Mas tudo bem... Por esta, passa...)

E passo no vestibular de ser igual a ti.

A cor azul deste casaco que hoje me aquece contra frio
(O forro em roxo — minha cor de que mais gosto)
Imagino que assim fossem cada um de teus abraços apertados.
É que eu era tão pequeno quando nos abandonaste...

(Passado e futuro, no presente interligados...)
Mas a Vitória ainda tem contigo...
Portanto, peço por favor que sempre cuides dela por mim.

P.S.: Logo mais, um aniversário... Parabéns atrasado.

Manhã no metrô

Basta que se vá ao trabalho para notar que é tudo errado.

"Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada..."¹

O transporte público, mais uma vez, nos deixa na mão nesta sexta-feira 10. Dia gostoso no clima natural, mas tão ridículo em clima comportamental. Pessoas se degladiando pelo centímetro quadrado do metrô, agente da(s) falha(s) de hoje — que, talvez, sejam reflexos límpidos das altas pessoas a se degladiarem por poder.
A paralisação que o metrô nos dá de presente, sem que, ao menos, se coloque a se paralisar... E mais alguém se mata. Por que não o faz em casa, sem "atrapalhar" toda a 2ª maior cidade do mundo? A metrópole em meio ao caos: escolher o local do suicídio — opção mais que absurda! A ligação cai antes que a ficha o faça...
Porcos entre as ruas, dinheiro à penumbra, o pavor nunca diz, mas se arruma, expõe, ataca. Clientes falecidos entre dívidas, pessoas preocupadas com o fim de um só dia — e não com o fim dos seus dias —, com mais um capítulo de mais uma novela preferia. Progressão aritmética (ou seria geométrica?). Facetas de um mesmo firmamento prometido, dado por motivos de umas guerras e conflitos; por vezes terminado em tesouro proibido.
Mulheres tão vulgares nos metrôs sem mais lugares. O vagão se transformara em trens de carga, enquanto não obedecemos aos sentidos das escadas. De quê adianta se gabar por ser destro? Desde a Idade Média, a Igraja se fazia em tal equívoco: ninguém canhoto! Braços esquerdos amarrados!
Os castelos medievais... Suas torres e escadas espirais...
As escadas eram espirais não somente por estética (nem um pouco por estética): os cavaleiros ao mais alto dos castelos. À descida em caso de invasão, o combate se desenvolvia nos degraus das escadas. Uma vez que eram espiraladas em sentido horário, os invasores precisariam se utilizar da mão esquerda no manuseio das espadas. Os defensores, por sua vez, destros, as espadas empunhadas à mão direita, obtinham tal vantagem.
Quem será que ganhava?
Seja como for, os castelos medievais não eram brancos com bandeirinhas vermelhas nas pontas, como nos desenhos de Walt Disney. Eram, em sua maioria, torres de blocos rudimentares. Não havia grandes sacadas ou varandas. Como se poderia haver segurança contra os hábeis arqueiros se se contava com tais espaços? Nem mesmo janela tinha. No máximo, eram cubículos entre um e outro blocos a fim de trazer ventilação — sim, os ambientes eram totalmente úmidos, como celas das mais precárias das prisões. Nem mesmo os nobres sabiam ler. Era um pdoer também voltado à Igreja. A fé não pode se sobrepor à vida, principalmente do ser humano. Têm de estar juntas, se auto-complementando.
Conter-me-ei a não falar acerca das lasquinhas da cruz de Cristo.

Vejamos... Toda essa história só apra que nos lembremos das mãos do trânsito; da inutilidade de se orgulhar por ser destro... Ah! E também que nos lembremos do bolo do aniversário de São Paulo em paralelo à lembrança do bolo capital inglês...

É triste e humilhante tomar o metrô com sua namorada e ver que ela, claustrofóbica, sua e passa mal por entre os túneis de nossa grande cidade. Nem mesmo um carro ou um táxi que seja, algum local seguro em meio a tal inferno.
Além do mais, o povo é baixo (fico feliz por sermos baixos somente em altura; feliz por não conseguirmos segurar com segurança os ferros do metrô). Buracos do metrô... O metrô de bons quilômetros incapaz de conter que seja um só metro de sabedoria, da parte das pessoas que nele habitam...
E ainda querem que aqui haja uma Copa...

(Tomara que dê certo...)

Futuramente, haverá mais devaneios acerca dessa Copa...


NOTA
1. Música "Toda forma de poder". Banda "Engenheiros do Hawaii". Compositor: Humberto Gessinger.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Estrada

Sou um ás de espadas,
Sou um pica-fumo.
Eu sou a encruzilhada
Entre as dimensões do mundo.

E nem que haja um “black out”
E nem que a minha força falte,
A estes braços estendidos que me levam a tuas garras,
É neste beco sem saída que construo minha estrada.

Ela pode nos levar a algum lugar,
Ela pode não levar a lugar algum...
Mas o certo é que saibamos que a luta
É o que importa — seja em Sol, seja em chuva.

Ela pode ser tão boa ou tão ruim,
Ela pode ser um meio sendo um fim...
Mas o certo é que viver é uma escolha
Que depende apenas de quem não se poupa;
De quem não trava por ter olhos cheios d’água,
De quem não vê um só degrau em uma escada.

Israel à Palestina

Já fiz tantas coisas de que até ateus duvidam;
Já toquei meu doze-cordas pra que as nuvens se decidam
Se a chuva produzida é só amor de calmaria,
Se os ventos mais dispersos serviriam às ruínas...

E alguém me respondera: — Chuva é mais que fantasia;
Mais que “Flashes” no escuro;
Mais que festa à fantasia.

Ela marca o recomeço esplendoroso de uma vida;
Ainda traz o que disputo
E o amor de minha vida.

E devolve a “bola-fora”
E me ensina a ver as horas...
Fontes úteis e distintas
De Israel à Palestina.

Castelo de cartas

A indústria cheira cola,
A indústria compra “crack”.
Viciados pedem esmola
Pra virarem nossos craques.

Quanta droga há no sangue,
Quanto sangue há nos ares,
Quantas mais serão as gangues
Que nos matam os pomares.

Pormenores de vantagens
Que nos saltam os olhares.
Incertezas e chantagens
Que nos chegam aos detalhes.

Assim fica difícil
De viver sem nenhum vício.
Assim nos cortam fios
Que nos protegem de arrepios.

Uma flor é atropelada
Pego, de ônibus, em flagra.
Será mais uma simpatia?
Por que matam essa vida?
Marcas do que fui agora
Mostram que a verdade ainda está lá fora...

Você desce pra beber o seu café
E me faz ser mais completo da cabeça aos pés...

As pessoas não resistem ao que acham ser incerto
Assim como “garotos não resistem aos seus mistérios”¹.
Continuo, ainda, sendo um garoto, uma pessoa,
Que hasteia suas letras e faz delas sua força.

Você desce pra beber o seu café
E me faz ser mais completo da cabeça aos pés.
Você escala o meu morro pra me ver
E não liga se sou pobre, se sou pouco, se sou Rei
Do castelo de minhas cartas postas fora do baralho
Que detém as suas armas que não causam nenhum estrago.

Passado em paralelo

(Indo ver você...)
As filas nos ensinam que devemos esperar
(Por que eu não concordo?)
Nunca chega minha vez...
Fico ansioso pra te ver.

Você fez no passado enquanto fiz em paralelo
(Passado tão remoto... Futuro descoberto...)
A água bate em minha tez
E eu ansioso pra te ver.

Ontem, novamente, os cantares inocentes
Do casal de namorados — orações remanescentes —,
Da canoa, da jangada, que atravessam as correntes
Dos temores, das cartadas, que nos acham de repente.

Ouço o seu jeito de falar
Mesmo que hoje não tenhamos conversado
Vejo o seu jeito, seu olhar
No vazio, na inexistência de meus quadros.

Nada mais restou na parede que nunca teve nada,
De nada adiantou erguer um prédio sem escadas.
Óculos sem lentes,
Borboleta sem suas asas,
Tijolo sem cimento,
Estado sem estradas...

E nos amamos como sempre,
Dialogamos como nunca...

Você pintou meu quarto,
Borrou minha maquiagem,
Me fez ser abstrato,

(Tirou minha maquiagem!)
Agora eu existo;
Agora sou verdade.

Sorriso na voz

“Sorria, nem que seja por economia”.
São menos dores e músculos.
E bem mais luzes no escuro.

Guria, o sorris ode tua voz me alivia
De meus assombros e apuros
De tuas grades, de meus muros.

Progrido minha vida em terapia
Sem que haja bons recursos
Pra que haja o meu refúgio
Em teus beijos e abraços,
Nos quais felicidades faço.

Tu tens o sorriso na voz por empatia,
Que livra a humanidade do absurdo
E rende minha mente a um sussurro
Próximo ao teu cheiro, aos teus braços;
Próximo à rotina de meus passos.

Levo em minhas noites porcentagens de meus dias.
É tua voz que sempre escuto
Às estratégias que eu estudo.

Pra mim

Os poucos bairros da cidade
Que formam uma cidade à parte
São opostos à minha dura realidade.
Definitivamente,
Isso não é pra mim.

Disputas inundadas
Pela crítica infundada
Aos meus passos pela estrada.
(Racismo!) Francamente,
Isso não é pra mim.

Hospitais de alta classe
Ricaços podres e selvagens,
Rouquidão da sociedade
Que não guarda sete chaves.
É terrível tão somente
Isso nunca ser pra mim.

Filhos que não temos,
Ensaios e venenos,
Ciúmes e desprezo...
Terminantemente,
Isso não é pra mim.

Mas eu espero sim, um dia,
Ter a altura de seus olhos,
Ver a luz de um só dia
Pra que as dores tenham fim.

Apontador

A risada de sua filha não é nada?
Por que não ri do que não é tão engraçado?
Sou culpado por sentir e dar risada
Dos desastres dessa vida do colapso.

Aponto o dedo
Pra não ter que apontar um novo lápis...

Indícios corriqueiros desse meu conto de fadas.
E eu, como estrangeiro, do amor nunca sei nada.
Eu protejo sua vida contra esses seus cigarros
E ainda me acusam de ser fútil, tão relapso.

Onde eu o faço?
Juro que não descobri,
Certo por não mais haver resposta.

Quando é que eu me calo?
Eu o faço pra te ver feliz?
(Certo de que não há mais resposta...)

Aponto o dedo
Pra não ter que apontar um novo lápis...

Posso, então, ficar sem escrever?
Assim, não dou razão a tal repúdio por meu ser.
Posso, então, abandonar as doze-cordas?
Talvez, por esse meio, encontremos a resposta.

Aponto o dedo
Pra não ter que apontar um novo lápis...