Seja bem-vindo!

"O gênio e a natureza fizeram uma aliança eterna: o que o primeiro promete, a segunda certamente realiza".
(Friedrich von Schiller)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Liberta-se o cantar

Vai o dia em metades
Desprendera-se do ar;
Universo sou em partes —
Parentesco em linguajar.

Tensiona-se a vida,
Termina a rebeldia
Neste peito em acalanto
À solda mágica, ao espanto.

Dos dias, as saudades;
Das noites os encantos...
De mares, maresias,
A nobreza do voar.

Liberta-se o cantar
Ao despender da aprazia
A resguardar em si o pranto
Criador de novas frases.

Morte minha

Morte minha, vem, te eleva
Pela derrocada deste teu defunto, espera
À ansiedade, ao consumismo do passar de novos tempos —
Rouquidão formal, exímia, em forma de meus sofrimentos.

De velhos sonhos, mantiveram-se energias
Ideais, suficientes, ao constante ressoar
Dos infortúnios praguejados contra a pífia sinergia.

Baixas calorias —
Melhorias do artifício do discurso dos infames
Ante a lástima instaurada à voz de nossa calmaria.

Revivescer a anistia
Vigorada à inclusão de maus momentos
Pelos males orquestrados, à neurótica euforia.

3457

Pensar cansa,
Morrer descansa.
Viver à esperança
É aguçar perseverança.

Haikai mexicano

Preso em nosso México,
O pensar em meu salgar
À amplitude do eu cético.

Meus pesares

Envio meus pesares
À corja interina e cruel —
Venci-a com cantares.

Mus musculus

Gripado no posto de saúde.
Na fila, irrequieto; o que dói repercute
Velhos rivais, uma flor, desafetos
Sou bem mais que pessoa sem direito a morrer!

Num carro, uma criança observa seu reflexo.
Na riqueza deste carro também vejo meu reflexo:
Nariz de palhaço, alvo risco no espaço
Em que todas as virtudes pedem mais que ir além.

Privado de mostrar conhecimento,
Barrado por mostrar contentamento
Tenho inveja dos pássaros, de cobras e ratos —
Neles, mora o que é simples e preciso ao viver.

Moro em fornos, em telhados!
Sou neurótico, irritado!
Mas eu preciso da Lei!
Mas eu preciso da Lei!

Próximo ao armazém

O vento canta soprano
Cachorros cruzando
O mundo caindo
O Sol se esbanjando.

Putaria na televisão
A nossa cultura é nossa prisão...
Nossas ruas, Guantánamo incerto,
Documento, o crachá: bola de ferro.

Ninguém sabia que morrer aqui
É mais que tortura...

Putaria na televisão
A nossa cultura é nossa prisão...
Nossas ruas, Guantánamo incerto,
Documento, o crachá: bola de ferro.

Ninguém sabia que morrer aqui
É mais que tortura...

Onde 'tá escrito que é preciso ter nome?

Não temos nome nem pra comprar
Não temos nome nem pra comer
Não temos nome nem pra morar
Não temos nome nem pra correr

NOTA:
Letra de música.

Metropolis Blues

Toda vez que o teu trabalho te persegue
É hora do dizer de adeus a cada coisa que fere
E finge estar ali.

Às esquinas da cidade, a ilusão
Ao vazio que se forma às nuvens, coração
Um novo princípio quase sempre é obtido
Ao vento que repousa entre as mãos.

Novas cores, às metrópoles, impressas
Velhos riscos, a audiência é o porão
Geografia, teoria controversa
Aos ouvidos de quem diz nascer do pão.

As bocas são sagradas ao toque das palavras
Um disco invertido ainda diz mais do que a canção
Toda vez que o teu trabalho te persegue

É hora do dizer de adeus a cada coisa que fere
E finge estar ali...


NOTA:
Letra de música.

domingo, 15 de maio de 2011

(Hum)ano


"Quanto tempo...
Quanto tempo faz...
Quanto tempo ficou pra trás...

"Esqueci de fazer a mala,
Fechar a casa,
Dizer 'agora eu vou embora'..."¹

Um ano de amor, desde que você traz luz e esperança aos meus dias, Lari!
Você veio de repente, me arrebatou e não me deu tempo de dizer adeus ao projeto de vida percorrido por meu âmago antes de você. "Não me lembro como eu era antes de você..."².
Todos os beijos, desde AQUELE beijo; todas as músicas; todos os sonhos; todos os planos; todas as dores; todos os sacrifícios.. Sobretudo, todo o AMOR — eis as fórmulas que mantiveram vívida, acesa à eternidade, essa chama que aprendemos a nutrir a cada bom-dia, a cada boa-noite. Como pôde alguém ter mudado a vida deste poeta boêmio que não bebe?
Desafios... eles existem para nos ensinar nosso valor, nosso potencial, nossa força e nossa garra. Foram 365 desafios até aqui. Todos vencidos pela entidade formada pela nossa junção. Fundimo-nos num macrocosmo operante, irrevogável, incapaz de titubear frente às batalhas que lhe surgem feito gumes de uma espada, sejam quais forem as ocasiões.

Criei poemas que falam de "Saudades", de "Potes de remédio e papel de chocolate". Outros falam de uma tal "Vil revolução" e também do "Apartheid". Certos versos me ensinavam que "Crescer dói". Alguns poemas ainda narram certa "Batalha", enquanto outros dizem "Tchau, Léo...". Muitos deles até viraram música. Mas, seja como for, todos reafirmam que estou "Do lado de Lá".

Versos. Tantos versos (bem maiores que as "Nove autorias")... E até agora, depois de uns 1234 poemas, ainda não encontrei uma definição para você, minha Rainha. "Na verdade, 'nada' é uma palavra esperando tradução..."³. Assim dizia um garoto após te conhecer, após provar do gosto do amor; e da promessa do que viria a ser viver em paz.

Amar? Era tão pequeno, pobre e desnecessário. Por quê? Por não amar... por não saber que seu sorriso um dia me acalmaria e me daria forças para gerar moinhos de vento! Você mudaria minha vida!

Vida. Falando em vida, o que dizer de nossa Giovanna? Temos duas lindas princesas que abrilhantam nossos dias. Somos pais! Tornamo-nos fortes, poderosos. Elas nos mostram que "grandes poderes também trazem grandes responsabilidades", como diria o Peter Parker, o Homem Aranha. (rsrs)

Por não saber o que dizer, ficarei por aqui. Sendo breve, em respeito à brevidade que este ano é à eternidade, no intento de torná-lo eterno. Reafirmo: você me faz (Hum)ano!!!

Amo que amo!!!


NOTAS:
1. Música "Quanto Tempo". Titãs. Composição: Tony Belloto;
2. Música"Antes de Você". Titãs. Composição: Paulo Miklos;
3. Música "Piano Bar". Engenheiros do Hawaii. Composição: Humberto Gessinger.

Vídeo de abertura:
"Depois da Meia-Noite". Meu cover de Capital Inicial. Composição: Dinho Ouro Preto e Alvin L.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

"Quando fui chuva"

Aprende-se a amar... Intangível, inimaginável, até mesmo incoerente — adjetivos que decerto caracterizam o amor. No entanto, mesmo que, inconscientemente, é possível que nos tornemos seus pupilos. Ataque arrebatador!
Melhor o é quando há correspondência, não somente no correio, mas na principal caixa de cartas: aquela do coração, cujas chaves somente são de posse de uma pessoa — da pessoa certa; a princípio, surreal. Aproximamo-nos deste honroso ser e, quando nos damos por nós, o mesmo já faz parte de nossa vida de modo ímpar. As dúvidas são contrariadas e se mostram inúteis, frágeis, frente à voraz chegada do tempo.

Mais um ano de vida completado por este alguém, por esta Aurora Boreal a irradiar sua essência, conferindo-me a principal das quintessências, em quaisquer que sejam os polos por mim habitados ou mesmo desejados...
Ela chega a cada dia, faz com que meu hoje se refaça e se torne passado, dado, ao horizonte, o olhar ao amanhã — por ele, é feita, neste instante, forte luta — e à profunda eternidade, na qual mergulharemos (e mergulhamos nos minutos que fingimos ser eternos, quando estamos juntos). Brincamos de massinha de modelar. Planejamos. Formamos uma vida. No entanto, a maior das seriedades faz com que os sonhos existam, coabitem com o que se sente, com o que se é, e com o que lutamos para que aconteça.

Larissa, FELIZ ANIVERSÁRIO!!!
Um excelente Ano-Novo pessoal! Estarei contigo neste ano que pousa sobre suas asas neste momento. Conte comigo, meu amor!!!

Para você: